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Sobre SimoneRibeiro. 

Sua produção & Arte. 

Simone Ribeiro consegue demonstrar originalidade em suas criações, mesmo em releituras de obras conhecidas. Ela recria utilizando esculturação de massa acrílica sobre tela, para depois invadir com cores gritantes, fatores que imprimem ao seu estilo, sua forte personalidade. Suas obras de concepção instigante são perfeitas no ritmo, intensidade e conteúdo.

Interessante é saber que seu esposo é leiloeiro de arte e possuem há 25 anos a Paiva Frade Galeria de Arte. Trabalham há tanto tempo com elementos visuais, e sua única filha, como uma peça do destino, é cega. Alguns psicólogos começaram a questionar se o inédito esculturamento sobre as telas, as cores vibrantes, alegres e fortíssimas, seriam num intento de sua filha ver ou sentir suas criações. Outros psicólogos, afirmam que suas obras carregadas de propriedade e verdade, seriam ícones que registram a tragédia inesperada e, vivida com resignação, dedicação e amor. Assim como qualquer artista registra sua era, seus dramas, de maneira única, para que a obra seja um livro eternizado da história vivida.

É uma artista preocupada com o ser social da pós-modernidade e destruição dos seus conceitos. Essa é a essência, do curta metragem e do documentário de nome "Barrocão", focado nos registros de Simone e, filmado em comunidades mineiras, que por serem ricas em manifestações culturais, embora economicamente pobres, não promovem o êxodo.

O objetivo da artista é chegar até o público sem segmentação. É comum em suas exposições, e até em seu atelier, a freqüência de jovens e adolescentes. Ela defende que a visualização da arte neste momento de pós-modernidade que vivemos, chamado pelo clichê "contemporânea", onde todas as possibilidades e gêneros devem ser aceitos, não pode ser um privilégio ou uma escolha de um grupo, mas uma particular intenção ou identificação, livre de influências que não se quer ter.  

Hoje, a pintura figurativa está experimentando um avivamento sem precedentes. Principalmente quando a multiplicidade da pós-modernidade, na Europa, prestigia grandes nomes figurativos como Jenny Saville, Elizabeth Peyton, George Condo, Alice Neel, Dana Schutz, John Currin, Kehinde Wiley, Peter Doig, Lucian Freud e inúmeros artistas regularmente exibem nas principais instituições e galerias e cujas obras estão cotando e alcançando altas cifras em leilões por todo o mundo. Tanto é que o Museu Europeu de Arte Moderna em Barcelona, vem constantemente realizando no hiato entre uma e outra exposição a mostra "Arte figurativa contemporânea Século XXI", com as mais de 1.000 peças figurativas do acervo.

Com isso em mente, percebeu a forma como esses talentosos pintores "contemporâneos da nossa era", interpretaram, redefiniram e alçaram o conceito de pintura figurativa. Simone, antenada neste nosso tempo, sabe que deve insistir e investir no seu puro, verdadeiro e instintivo estilo de criação.